segunda-feira, 3 de agosto de 2015

A CANETA

Há um modo muito fácil de se matar alguém: tirar-lhe o pão: vergonha sulfúrica contra matéria mole. Postura quebrável como vidro. Reputação vulnerável. Qualquer deslize o chão tem braços abertos. Uma caneta mata, suicida, causa-mortis dos titubeantes.

Atravessou a via. Estacou-se. Pensou. Adiante fazia-se frondoso e austero a massa maciça de cimento e ferro, sem coração como a caneta. A conta na mão. Dez anos de firma. Três filhos. O que vai ser? Contas. Vergonha. Reputação.

Subir. O porteiro nada nota. Era mais um dia. Subiu. O elevador é súbito. As escadas nem sempre. Preferiu-as. Subiu. Passo a passo. Pensava. Voltar: vergonha. Seguir, solução. Faxineira: __ Bom dia! Teve de sorrir um bom dia amargo. Fingiu.  Subiu. Homem de terno: ___ Bom dia! Baixo respondeu. Dados minutos. O azul aparece-lhe.

Entorno o amargo mundo capitalista. Lá embaixo a terra comum de todos. Mergulha no azul...

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Escuro.

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Comoção.